domingo, 20 de abril de 2014


Imunização ativa x passiva 

A imunização ativa ocorre quando o próprio sistema imune da criança, ao entrar em contato com uma substância estranha ao organismo, responde produzindo anticorpos e células imunes (linfócitos T). Esse tipo de imunidade geralmente dura por vários anos, às vezes, por toda uma vida.Os dois meios de se adquirir imunidade ativa são contraindo uma doença infecciosa e a vacinação. 

A imunização passiva é obtida pela transferência à criança de anticorpos produzidos por um animal ou outro homem. Esse tipo de imunidade produz uma rápida e eficiente proteção, que, contudo, é temporária, durando em média poucas semanas ou meses. A imunidade passiva natural é o tipo mais comum de imunidade passiva, sendo caracterizada pela passagem de anticorpos da mãe para o feto através da placenta. Essa transferência de anticorpos ocorre nos últimos 2 meses de gestação, de modo a conferir uma boa imunidade à criança durante seu primeiro ano de vida. A imunidade passiva artificial pode ser adquirida sob três formas principais: a imunoglobulina humana combinada, a imunoglobulina humana hiperimune 
e o soro heterólogo. A transfusão de sangue é uma outra forma de se adquirir imunidade passiva, já que, virtualmente, todos os tipos de produtos sanguíneos (sangue total, plasma, concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas, etc) contêm anticorpos. 

 Vacinas inativadas 

Compostas de microrganismos inativados, o que significa que estes não mais se encontram vivos, logo incapazes de multiplicarem-se. A resposta imune à vacina inativada é principalmente humoral, com pouca ou nenhuma imunidade celular. 

Exemplos de vacinas inativadas: DPT (tríplice), hepatite A, hepatite B, raiva, pólio-Salk, pneumococo, meningococo, influenza, haemophilus do tipo-b, febre tifóide, cólera.

VACINAS BACTERIANAS

Anatoxinas Tetânica e Diftérica

  • As mais comumente utilizadas são:
  • Em crianças
               . DTP e DTPa (proteção contra difteriatétano e coqueluche)
          . DT (proteção contra difteria e tétano)
  • Em adultos
                 . dT (proteção contra difteria e tétano)
                 . ATT (proteção contra o tétano)

  • Com a dT. A vacina dupla (dT), composta pelo toxóide tetânico e pelo diftérico, é tão segura e eficaz quanto a vacina antitetânica isolada (ATT).  A difteria, assim como o tétano, é uma doença grave que pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e que pode ser facilmente evitada com o uso da vacina. Desta forma, o ideal é que tanto o esquema básico, quanto os reforços sejam feitos com dT, mesmo quando a imunização é iniciada em Hospitais de Emergência.
  • O esquema básico de vacinação na infância começa no primeiro ano de vida. É feito com três doses de DTP (vacina contra tétano, difteria e coqueluche, adequada para crianças), aos dois, quatro e seis meses, seguindo-se de um reforço aos 15 meses e outro entre quatro e seis anos de idade. A partir daí, a cada dez anos, deve ser feito um reforço com dT (vacina contra tétano e difteria, adequada para adultos), para assegurar proteção adequada.
  • Os adultos que nunca foram vacinados contra tétano (grande parte da população adulta nunca foi, ou desconhece que tenha sido vacinada) deve receber três doses da vacina dupla de adulto (dT) para proteção contra o tétano e a difteria, respeitando-se o intervalo mínimo de 30 dias entre as doses. Depois de completada a série de três doses, é necessario apenas uma dose de reforço a cada dez anos, para manter a proteção adequada.
  • Crianças ou adultos que  iniciaram a vacinação, e interromperam em qualquer época, devem completar as doses até a terceira, independente do tempo decorrido. A partir daí, o reforço deve ser feito a cada dez anos.
Quem  está sem o reforço da antitetânica há mais de 10 anos, mas tem vacinação completa, não precisa repetir as três doses. Basta um reforço, uma vez que apenas uma dose é capaz de recuperar a imunidade completamente. O reforço com dT deve ser administrado a cada dez anos para evitar que, em algum momento, o indivíduo não esteja adequadamente protegido. Entretanto, se o tempo transcorrido for superior, não é necessário repetir as três doses da vacina.

  • . As gestantes podem e devem ser vacinadas. As gestantes que nunca foram vacinadas, além de estarem desprotegidas não passam anticorpos para o filho, o que acarreta risco de tétano neonatal após o nascimento da criança. A vacinação é feita como a de qualquer adulto, com a vacina dT (três doses), que pode ser administrada com segurança durante a gravidez. É recomendável que, de acordo com o tempo disponível, se possível  a terceira (ou pelo menos a segunda dose) seja administrada até duas semanas da data prevista do parto, visando a passagem de elevados títulos de anticorpos para o concepto. Deve-se programar a 3a dose para as mulheres que fizeram apenas duas doses durante a gestação (seis a doze meses após a 2a dose).
  • Existem situações necessárias à antecipação da dose de reforço. Em duas situações, e apenas quando a última dose foi a mais de cinco anos. A primeira, refere-se aos indivíduos com ferimentos de alto risco para o tétano. A segunda, às gestantes, que devem receber um reforço no sétimo mês de gestação, para garantir proteção adequada para o bebê contra o risco de tétano neonatal.
  • A antecipação do reforço sem indicação precisa, além de ser tecnicamente desnecessária aumenta o risco de efeitos adversos.

  • Mas para evitar o tétano não basta estar vacinado. A vacinação completa reduz muito o risco de tétano, mas é necessário lavar o ferimento com água e sabão, e procurar retirar corpos estranhos (terra, fragmentos de madeira). Caso a pessoa não esteja vacinada adequadamente,  pode ser necessário que, além da vacina, receba também imunização passiva (imunoglobulina antitetânica ou, apenas na sua falta, soro antitetânico). Para as pessoas não vacinadas, é importante completar a vacinação antitetânica iniciada nos Hospitais de Emergência, até a terceira dose (com intervalo mínimo de um mês), nos Centros Municipais de Saúde.

  • Vacinas virais

As vacinas produzidas contra os vírus podem ser de dois tipos a saber: atenuada ou inativada. A vacina atenuada é aquela em que o vírus encontra-se vivo porém, sem capacidade de produzir a doença (caxumba, febre amarela, poliomielite, rubéola, sarampo, tríplice viral, varicela e varíola). Algumas vezes estes vírus podem reverter para a forma selvagem causando a doença. Estas vacinas são contra-indicadas para imunodeprimidos e gestantes.

A vacina inativada contém o vírus inativado por agentes químicos ou físicos, ou subunidades e fragmentos obtidos por engenharia genética. Neste caso nunca ocorre a reversão para a forma selvagem (gripe, hepatites A e B, poliomielite injetável e raiva). Estas vacinas podem ser indicadas para os imunodeprimidos. A seguir apresentamos as principais vacinas virais disponíveis no Brasil.

Ø Vacina contra caxumba
Ø Vacina contra febre amarela
Ø Vacina contra gripe
Ø Vacina contra hepatite A
Ø Vacina contra hepatite B
Ø Vacina contra poliomielite
Ø Vacina contra raiva humana
Ø Vacina contra rubéola
Ø Vacina contra sarampo
Ø Vacina tríplice viral
Ø Vacina contra varicela
Ø Vacina contra varíola



 
Vacinasmortas/inactivadas

O agente bacteriano ou viral é morto ou inactivado através de tratamento químico (ex: formaldeído) ou por calor.

  • Exemplo: a vacina inactivada contra o vírus da poliomielite (VIP), a vacina contra a pertussis (Pw), a vacina contra a raiva ou a vacina contra o vírus da hepatite A.
Vacinas sub-unitárias

Contêm fracções ou sub-unidades do agente infeccioso (bacteriano ou viral) seleccionado devido à sua capacidade de iniciar uma resposta imunitária específica.

Exemplo: a vacina contra o Haemophilus influenza do sorotipo b ou a vacina acelular contra a pertussis.

As Toxóides são um importante grupo de vacinas sub-unitárias, como a toxóide da difteria, que contêm uma toxina bacteriana quimicamente modificada, que mantém as suas propriedades imunogénicas, estimulando a formação de anticorpos.

Anti-Soro na prevenção e no tratamento das infecções
 O termo Anti-Soro designa um soro sanguíneo rico em anticorpos que atuam contra uma determinada substância, por exemplo contra a mordedura das cobras.
Os soros antipeçonhentos podem ser utilizados para o tratamento de picadas de animais venenosos (como serpentes, aranhas, escorpiões e taturanas).
OUtros soros pode neutarlizar toxinas que causam doenças como difteria, botulismo, tétano e raiva.
Existem também soros para evitar a rejeição de órgãos transplantados.
A maior parte desses soros é obtida pelo mesmo processo dos soros antipeçonhentos. A diferença está no tipo de substância injetada no animal para a produção de anticorpos.
Vale lembrar que para cada tipo de veneno ou toxina (antígeno) há um tipo específico de soro. Desta maneira, o soro utilizado para a mordida de uma cobra coral, é diferente do soro utilizado para a mordida de uma jararaca ou de uma cascavel. 

Soro
Soro Aplicação e tipos de soros:


Os mais conhecidos soros são os antiofídicos, que neutralizam os efeitos tóxicos do veneno de animais peçonhentos, por exemplo, cobras e aranhas. No entanto, há soros para o tratamento de doenças, como difteria, tétano, botulismo e raiva, e são produzidos também soros que reduzem a possibilidade de rejeição de certos órgãos transplantados, chamados de Anti-timocitários.

Quando uma pessoa é picada por um animal peçonhento, o soro antiofídico é o único tratamento eficaz. A vítima deve ser levada ao serviço de saúde mais próximo, onde receberá o auxílio adequado. Para cada tipo de veneno há um soro específico, por isso é importante identificar o animal agressor e se possível levá-lo, mesmo morto, para facilitar o diagnóstico.

A produção do soro é feita geralmente através da hiperimunização de cavalos. No caso do soro antiofídico, é extraído o veneno do animal peçonhento e inoculado em um cavalo para que seu organismo produza os anticorpos específicos para aquela toxina. Esse animal é o mais indicado para a atividade devido à facilidade de trato, por responderem bem ao estímulo da peçonha e pelo seu grande porte, o que favorece a fabricação de um grande volume de sangue rico em anticorpos.

Após a formação dos anticorpos, são retirados em torno de 15 litros de sangue do animal. A parte líquida do sangue, o plasma, rico em anticorpos passa por alguns processos de purificação e testes de controle de qualidade, para daí então estar pronto para o uso em humanos. As hemácias, que formam a parte vermelha do sangue, são devolvidas ao animal através de uma técnica de reposição para reduzir os efeitos colaterais provocados pela sangria.

O soro para o tratamento de doenças infecciosas e para prevenir a rejeição de órgãos também é obtido por processo semelhante. A única diferença está no tipo de substância injetada no animal para induzir a produção de anticorpos, que na maioria dos casos é alguma parte da própria bactéria ou o vírus inativado.

O Instituto Butantan é responsável por cerca de 80% dos soros e vacinas utilizados hoje no Brasil. Veja abaixo alguns soros produzidos pelo Instituto e distribuídos pelo Ministério da Saúde a todo o país.
  • Antibotrópico - para acidentes com jararaca, jararacuçu, urutu, caiçaca, cotiara.
  • Anticrotálico - para acidentes com cascavel.
  • Antilaquético - para acidentes com surucucu.
  • Antielapídico - para acidentes com coral.
  • Antiaracnidico - para acidentes com aranhas do gênero Phoneutria (armadeira), Loxosceles (aranha marrom) e escorpiões brasileiros do gênero Tityus.
  • Antiescorpiónico - para acidentes com escorpiões brasileiros do gêneroTityus.
  • Anilonomia - para acidentes com taturanas do gênero Lonomia.
  • Anti-tetânico - para o tratamento do tétano.
  • Anfi-rábico - para o tratamento da raiva.
  • Antifidiftérico - para tratamento da difteria.
  • Anti-botulínico "A" - para tratamento do botulismo do tipo A.
  • Anti-botulínico "B" - para tratamento do botulismo do tipo B.
  • Anti-botulínico "ABE" - para tratamento de botulismo dos tipos A B e E.
  • Anti-timocitário - usado para reduzir as possibilidades de rejeição de certos órgãos transplantados. 

http://www.trt7.jus.br/das/htm/docs/imunizacoes.pdf
http://www.cva.ufrj.br/informacao/vacinas/dT-pr.html
http://www.vacinas.org.br/novo/vacinas_contra_v_rus/vac_virus.htm
http://www.apifarma.pt/areas/vacinas/Paginas/tipos.aspx
http://www.knoow.net/ciencmedicas/medicina/anti_soro.htm
http://www.butantan.gov.br/home/micro_cd_aula4.php
http://www.coladaweb.com/biologia/saude/vacina-e-soro

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Antígeno e Anticorpo



Usaremos este vídeo com uma introdução ao assunto abordado.


ANTÍGENO


Antígeno (Ag) é toda uma estrutura que causa uma resposta imunológica. É toda estrutura que possa causar danos ao hospedeiro.

Ø Vírus;
Ø Bactérias;
Ø Fungos;
Ø Protozoários;
Ø Verminoses;
Ø Substâncias Químicas (perfumes, giz, roupas...) 

Seguindo o ABBAS (Imunologia Celular e Molecular - 7ª Ed. 2012), antígeno pode ser definido como estruturas que geram uma resposta contra eles pelo sistema imune. 

 Epitopo ou determinante antigênico é a menor porção de antígeno com potencial de gerar a resposta imune. É a área da molécula do antígeno que se liga aos receptores celulares e aos anticorpos. É o sítio de ligação específico que é reconhecido por um anticorpo ou por um receptor de superfície de um linfócito T (TCR).
Cada antígeno pode conter um ou mais epitopos, sendo iguais ou diferentes. A presença de diferentes epitopos na superfície do antígeno pode desencadear uma produção de anticorpos com diferentes especificidades e a ativação policlonal de linfócitos T. Isso geralmente não acontece, porque somente uns poucos epitopos podem ativar a resposta imune. Essa supremacia de um determinado epitopo é chamada imunodominância, e esse determinante antigênico com maior reatividade recebe a denominação de grupo imunodominante.
 A imunodominância se deve ao fato de o grupo imunodominante estar localizado numa área exposta do antígeno, favorecendo um "bom encaixe", numa ligação tipo "chave-fechadura" que ocorre entre o epitopo e TCR ou entre epitopo e anticorpo. Um "bom encaixe" entre o determinante antigênico e o sítio de ligação do anticorpo ou do TCR depende de forças atrativas intermoleculares. Essas forças atrativas devem ser maiores que as repulsivas. A capacidade do grupo imunodominante formar uma ligação estável com o anticorpo ou com o TCR pode ser reversível se houver desequilíbrio entre as forças atrativas e repulsivas. A estabilidade do complexo antígeno-anticorpo ou antígeno-TCR depende da proximidade da ligação e está condicionada às ligações químicas existentes.
No caso de um distúrbio auto-imune, as reações iniciadas contra um antígeno próprio podem lesar tecidos, resultando na liberação e alterações teciduais, ativação de linfócitos específicos para esses outros antígenos, exacerbando a doença. É o fenômeno da propagação do epitopo, capaz de explicar por que, uma vez desenvolvida, uma doença auto-imune tende a ser crônica, e muitas vezes, progressiva.

ORIGEM DOS ANTIGENOS
Antígenos podem ser classificados de acordo com sua origem:

Ø Antígenos exógenos
Antígenos exógenos são antígenos que entrou no corpo de fora, por exemplo, inalação, ingestão ou injeção. Estes antígenos são levados para as células apresentadoras de antígenos mediante endocitose o fagocitose (APCs) e transformado em fragmentos

Ø Antígenos particulados
Antígenos particulados são representados por determinantes antigênicos que fazem parte da estrutura de células, bactéria, fungos e vírus; estão, portanto, fixos aos mesmos.

Ø Antígenos endógenos
Antígenos endógenos são aqueles antígenos que foram gerados dentro de uma célula, como resultado do metabolismo,celular normal, ou devido a infecções, bacteriana ou viral intracelular.

Ø Imunogenicidade
É a capacidade de induzir e reagir a uma resposta imunológica detectável.
Requisitos para imunogenicidade:
1°- Ser extranho (no self).
2°- Ter auto peso molecular.
3°- Ter complexidade química.
4°- Ter capacidade de ser degradada.

Ø Antigenicidade
Antigenicidade é a substância com capacidade de atuar como um antígeno, estimulando a formação de anticorpos.



Ø Reação Cruzada

Termo empregado quando um anticorpo induzido especificamente para um antígeno A é capaz de reconhecer um antígeno B contra o qual este não foi específicamente gerado, mas que por apresentar estruturas antigenicamente análogas mimetizando o antígeno que evocou a resposta. É importante ressaltar que a resposta imune adaptativa tem como característica primordial a especificidade. Entretanto, em algumas situações, a reação cruzada pode ser interpretada como benéfica (ex. proteção alcançada com a vacinação contra um dado microorganismo e contra outro antigenicamente relacionado: vacina contra gripe , proteção contra diferentes cepas do vírus da gripe não contidas na vacina; BCG, proteção contra M. tuberculose e M. leprae; etc.). Laboratorialmente, a reação cruzada pode determinar um resultado falso positivo.


LB e LT


Começaremos esse tema com essa bela canção chamada "Paratodos" interpretada por Chico Buarque, que faz alusão a uma árvore genealógica, e contra uma trajetória de vida. Podemos comparar a origem dos Linfócitos B e T, que após produzidos por células progenitoras, seguem rumos diferentes no organismo.


Origem

Os linfócitos B se originam de células-tronco pluripotentes da medula óssea, que dão origem às células progenitoras mielóides e linfóides. Os progenitores linfóides, por sua vez, dão origem aos linfócitos B, T e células NK. Os linfócitos B são inicialmente produzidos no saco vitelino, posteriormente, durante a vida fetal, no fígado e finalmente na medula óssea. Na medula óssea a seqüência de rearranjos das imunoglobulinas e as alterações fenotípicas ocorrem durante a ontogenia das células B, de maneira análoga às células T do timo. As células que vão diferenciar-se em linfócitos B (LB) permanecem na medula óssea durante seu processo de maturação ao contrário dos LT que migram para o timo. Após a maturação as células B deixam a medula e caem na circulação, migrando para os órgãos linfóides secundários (Figura 1).

Os LB, diferentemente dos LT que dependem da apresentação de peptídeos pelo MHC, são capazes de reconhecer antígenos solúveis na sua forma nativa. As moléculas responsáveis pelo reconhecimento de antígenos nos LB são as imunoglobulinas de membrana IgM e IgD. O complexo do receptor de células B (BCR) inclui, além da imunoglobulina de membrana, duas cadeias peptídicas, denominadas Iga (CD79a) e Igb (CD79b), que se associam de modo não covalente, e têm função de dar início à sinalização intracelular após o encontro com o antígeno. 

Esse vídeo explicativo vai ajudar vocês a elucidar esta questão.


Características das imunoglobulinas

Cada molécula de imunoglobulina é constituída por duas cadeias pesadas e duas cadeias leves ligadas por pontes dissulfeto (Figura 2). Os genes das cadeias pesadas se situam no cromossomo 14 e os das cadeias leve k (kappa) e l (lambda) nos cromossomos 2 e 22, respectivamente. Existem cinco tipos diferentes de cadeias pesadas denominadas a, g, d, e e m, que definem as classes de imunoglobulina IgA, IgG, IgD, IgE e IgM, respectivamente. A especificidade de ligação ao antígeno é definida pela porção variável (Fab) da molécula, constituída pela união das regiões variáveis da cadeia pesada e cadeia leve que constituem a imunoglobulina. As propriedades características da classe dependem da porção constante da cadeia pesada (Tabela 1).

Organização dos genes das imunoglobulinas

Cada cadeia de imunoglobulina, tanto leve quanto pesada, é formada a partir de segmentos gênicos que se rearranjam em uma seqüência específica para constituir a cadeia completa (Figura 3). A porção variável da cadeia pesada das imunoglobulinas é codificada pelos segmentos VH, DH e JH. Há mais de 50 genes VH, cerca de 25 DH e 6 JH dispostos seqüencialmente no cromossomo, seguidos das regiões constantes Cm, Cd, Cg3, Cg1, Ca1, Cg4, Cg2, Ce1 e Ca2. Nas cadeias leves os segmentos são: Vk (~35) e Jk (5) e um só segmento Ck no cromossomo 2 e Vl (~30) seguido de quatro conjuntos JlCl no cromossomo 22.

Maturação dos linfócitos B

A maturação dos linfócitos B tem início a partir das células pró-B que expressam na superfície as moléculas CD19 e CD10, que são restritas aos LB. Nesse estágio a célula inicia a expressão do gene desoxinucleotidiltransferase terminal, TdT, e dos genes ativadores da recombinação, RAG1 e RAG2 que comandam a recombinação gênica necessária para a produção de imunoglobulinas. A montagem da cadeia pesada se inicia com a combinação aleatória de um segmento D e um J que a seguir se unem a um segmento V, definindo a especificidade de reconhecimento do anticorpo que será formado, independentemente da porção constante que fará parte da cadeia completa (Figura 3). A cadeia pesada é a primeira a sofrer rearranjo e a célula, capaz de produzir uma cadeia pesada m no citoplasma, é denominada pré-B. A cadeia m se associa a uma cadeia invariável e é expressa na superfície como um pré-BCR, juntamente com as moléculas assessórias Iga e Igb. Em seguida ocorre o rearranjo da cadeia leve kappa e, na falha desta, da cadeia lambda. Cada LB apresenta, portanto, um único tipo de cadeia leve associado à cadeia pesada. O sucesso na expressão de uma IgM completa na superfície do LB leva à progressão da maturação com subseqüente produção de IgD de membrana por splicing alternativo a partir do pré-RNA mensageiro que contém as diferentes porções constantes. 




ANTICORPO



Anticorpo (Ac) São glicoproteínas solúveis produzidas por linfócitos B e células plasmáticas após a estimulação de uma macrocélula, isto é, um antígeno.

Tem a capacidade de se ligar a um antígeno e pertencem a um grupo de grandes polipeptídeos chamados imunoglobulinas (separação eletroforética).


É uma molécula com uma forma semelhante a  letra Y.


                                        


Cadeia leve: Região Variável
Cadeia pesada: Região Constante

O anticorpo tem a função de se ligar a uma célula apresentadora de antígeno e o leva para uma célula T. Tem a função de reconhecer e combater o antígeno.

Estruturas:

1) Monômero
2) Dímero
3) Pentâmero

 ESTRUTURA BÁSICA DAS IMUNOGLOBULINAS

Embora diferentes imunoglobulinas possam ser diferentes estruturalmente, elas são todas construidas a partir das mesmas unidades básicas.
Vai aqui um vídeo explicativo que vai ajudar você a entender melhor essa questão. 

A. Cadeias leves e Pesadas 
Todas as imunoglobulinas têm uma estrutura de quatro cadeias como unidade básica. Elas são compostas de duas cadeias leves idênticas e duas cadeias pesadas idênticas.

B. Pontes dissulfeto
1. Pontes dissulfeto intercadeia – As cadeias pesada e leve e as duas cadeias pesadas são mantidas juntas por pontes dissulfeto intercadeia e por interações não covalentes. O número de pontes dissulfeto varia entre as diferentes moléculas de imunoglobulinas.
2. Pontes dissulfeto intracadeia – Dentro de cada uma das cadeias polipeptídicas há também pontes dissulfeto intracadeia.
C. Regiões Variáveis (V) e Constantes (C)
Depois que as sequências de aminoácidos de muitas cadeias pesadas e leves diferentes foram comparadas, ficou claro que ambas as cadeias pesadas e leves poderiam ser divididas em duas regiões baseando-se na variabilidade da seqüência de aminoácidos. Elas são:

1. Cadeia leve - VL (110 aminoácidos) e CL (110 aminoácidos)
2. Cadeia Pesada - VH (110 aminoácidos) e CH (330-440 aminoácidos)
D. Região da dobradiça 
Esta é a região com a qual os braços da molécula de anticorpo formam um Y. É chamada de região da dobradiça porque há uma flexibilidade na molécula nesse ponto.

E. Domínios
Imagens tridimensionais da molécula de imunoglobulina mostram que ela não é reta. Ao contrário, ela é dobrada em regiões globulares, cada uma das quais contém uma ponte dissulfeto intracadeia. Essas regiões são chamadas domínios.

1. Domínios de Cadeia Leve - VL e CL
2. Domínios de Cadeia Pesada - VH, CH1 - CH3 (ou CH4)
F. Oligosacarídeos
Carboidratos são acoplados ao domínio CH2 na maioria das imunoglobulinas. Entretanto, em alguns casos carboidratos podem também ser acoplados em outros locais.

Os termos Anticorpo e Imunoglobulina (Ig) são frequentemente usados com o mesmo significado.

Classes de Anticorpos

São cinco séries de anticorpos:

Ø Imunoglobulina tipo A (IgA) - Dímero
Ø Imunoglobulina tipo D (IgD) - Monômero
Ø Imunoglobulina tipo G (IgG) - Monômero
Ø Imunoglobulina tipo E (IgE) - Monômero
Ø Imunoglobulina tipo M (IgM) - Pentâmero

Os anticorpos apresentam uma gama de funções e uso, tanto biológicas quanto clínicas.

Na defesa do hospedeiro:

Marcação de organismos infectivos;
Recrutamento do hospedeiro, de mecanismos efetores de destruição;
Neutralização de toxinas;
Remoção de antígenos estranhos da circulação sanguínea. 

Na medicina Clínica:

Níveis de anticorpos específicos antipatógenos usados em diagnósticos (monitoramento de uma doença);
Conjunto de anticorpos administrados passivamente para a terapia (proteção do hospedeiro).

Laboratório Científico:

Os anticorpos são usados em grande escala de aplicações de diagnósticos e pesquisas.

Tipos:

Ø IgM: 



É a Infantaria do nosso organismo. É a primeira força a ser lançada no combate às invasões sofridas pelo nosso organismo. Para entender esta co-relação e facilitar nossa " decoreba" leia o que é uma infantaria: "Infantaria é a mais antiga arma do Exército e geralmente dotada dos maiores efetivos, formada por soldados que podem combater em todos os tipos de terreno e sob quaisquer condições meteorológicas, podendo utilizar variados meios de transporte para serem levados à frente de combate. Sua principal missão é conquistar e manter o terreno, aproveitando a capacidade de progredir em pequenas frações, de difícil detecção e grande mobilidade".

● É o primeiro Ac produzido.
● Cerca de 10% do conjunto de imunoglobulinas.
● Plasmócitos.
● Início baixa afinidade.
● Região constante reage complemento.

Expressa na superfície das células B. Elimina patógenos nos estágios iniciais da imunidade mediada pelas células B antes que haja IgG suficiente (ativação do sistema de complemento).

Resposta primária




Como primeira linha de defesa, o corpo desencadeia a resposta imune primária quando um antígeno nocivo é detectado. Esse organismo pode ser uma molécula ou substância que, quando entra no corpo humano, provoca a produção de anticorpos pelo sistema imunológico. Essas defesas, em seguida, tentam matar ou neutralizar o invasor identificado como um organismo externo ou perigoso. Depois que é atacado, o corpo passa por um período de retardamento de 10 dias a quatro semanas, até que a produção dos anticorpos é iniciada.

Resposta primária II

Durante a fase de retardamento, os linfócitos B se preparam para se dividir e iniciar a produção das defesas do corpo, especificamente criadas para destruir os antígenos nocivos. A quantidade de anticorpos que é liberada na corrente sanguínea é igual à dos organismos invasores, e esse número vai diminuindo lentamente quando os antígenos não estão mais presentes no corpo humano. Na medida em que a resposta imune primária progride, a qualidade dos anticorpos melhora.

O anticorpo dura no organismo aproximadamente 48h. Após este tempo, migra para os tecidos dos órgão do trato respiratório, gastrointestinais... para efetuar a proteção destes.

O pentâmero faz o maior numero de ligações covalentes nos antígenos (até 10 ligações). Em uma infecção, ele é o primeiro a ser lançado para combater.

INDICA UMA INFECÇÃO RECENTE!!!

Ø IgA:


● Linfonodos, baço, medula óssea.
● Linfonodos mucosas.
● Cerca de 15% a 20% das imunoglobulinas do soro humano.
● Parte direcionada contra microorganismos que colonizam mucosas. 

Encontrado em áreas de mucosas, como os intestinostrato respiratório e trato urogenital, prevenindo sua colonização por patógenos. É passado para o neonato via aleitamento.

Sabendo que esta Ig é passada para o neonato pelo aleitamento materno, pegamos esse "gancho" para facilitar nossa "decoreba" e chamaremos o IgA de IgAleitamento Materno. Tenha a certeza de que isso vai grudar em você igual ao cheiro do perfume enjoado daquela mulher que estava do seu lado na viagem do ônibus que gruda na sua roupa.


Ø IgE:



Participa recrutando os neutrófilos.






● Ativação de mastócitos.
● Apesar de escasso no soro humano, é encontrada na membrana de basófilos.
● Atividades inflamatórias
● Defesa contra vermes e parasitas.
● Alérgenos.

Se liga a alérgenos e ativam os mastócitos. São responsáveis pela liberação de histamina e basófilos (reação de hipersensibilidade Inata alergia). Também protege contra parasitas helmintos.

Sabemos que os Eosinófilos estão intimamente ligados ao combate de crises alérgicas e/ou vermes intestinais. Para facilitar nossa "decoreba" podemos chamar o IgE de IgEosinófilo. Pronto, isso nunca mais vai sair da sua cabeça, como música chata que só fica repetindo o refrão na sua cabeça.

Ø IgD:


● Menos de 1% das imunoglobulinas do soro, mas está presente em grande quantidade na membrana de muitas células B circulantes.
● Função imprecisa, mas pode ter um papel na diferenciação de linfócitos estimulados antigenicamente.

Funciona principalmente como uma receptora de antígeno nas células B. Suas funções são menos definidas do que as dos outros isotérmicos.


É como aquele cara que vive de fazer "bico". Um faz tudo. Não tem uma função definida, mas acredite, ele está lá!

Ø IgG:



● Está igualmente distribuída nos compartimentos extracelulares e é a unica que atravessa a placenta.
● É o anticorpo principal nas respostas imunes secundárias e a classe antitoxinas.

Participa da opsonização; ativação do sistema de complemento (inflamação e fagocitose); citotoxicidade mediada por células dependentes de anticorpo; Inibição por feedback das células B. Além de ser o único tipo de Ig que ultrapassa a barreira placentária.

Resposta secundária
A resposta imune secundária ocorre depois que um antígeno, que já havia invadido o corpo, ataca novamente. No entanto, o ataque precisa ser feito pelo mesmo vírus ou bactérias que sejam exatamente do mesmo tipo do anterior, como por exemplo, quando um indivíduo é reinfectado pela mesma gripe. Assim que o organismo é considerado uma ameaça maior, a quantidade de anticorpos, criados especificamente pelo corpo para esse tipo de vírus da gripe durante a primeira infecção, aumenta sem que seja necessário esperar o período de retardamento.

Resposta secundária II
Depois que o antígeno é completamente exterminado mais uma vez, os níveis de anticorpos diminuem ainda mais que na primeira resposta. Apenas os mais dominantes sobrevivem, porém, eles mantêm na memória o tipo do vírus para agirem novamente, caso ocorra uma nova infecção.

É a lembrança daquilo que passou. É como se enviasse mensagens para os microorganismos dizendo: -" Eu sei o que vocês fizeram no verão passado"...É a memória imunológica, provando que o organismo está mais forte e que agora aprendeu a se defender. 

MARCADOR DE INFECÇÃO ANTIGA!!!